Considerações do blog

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O senso comum e o final do século XX

Como já citamos, humanidade viu no século XX, guerra e tecnologia como fortes aliados capazes de vencer, e a visão que ficou é que a tecnologia foi um diferencial que definiu o rumo das guerras.

Assim como a, já não mais cegamente aceita, concepção clássica das relações entre ciência, tecnologia e sociedade, onde o pensamento poderia ser resumido na equação “+Ciência = +Tecnologia = +Riqueza = +Bem-estar social”, o senso comum também pode induzir as pessoas a uma visão semelhante dentro da guerra. Uma equação semelhante pode ser enunciada como +Tecnologia = +Vantagem militar = +Chances de vitória, embora isso seria uma visão muito simplista da questão. Além de casos históricos onde grande impérios foram derrubados em guerras contra civilizações que eles não consideravam superiores a eles, a história recente pode mostrar que essa visão é bem incompleta. Um caso que podemos citar seria a guerra do Vietnã.

Nesta guerra os Estados Unidos mesmo empenhado em usar armamentos modernos, helicópteros, armas químicas e outros recursos, não conseguiram obter alguma vitória militar significativa. Mas as táticas de guerrilha dos vietcongues não foram a única coisa que o exércico americano teve que enfrentar. Um território marcado por florestas tropicais fechadas e muita chuva, além do fato de não conhecerem bem os pontos fortes e fracos dos seus aliados eram problemas que não estavam previstos no ataque dos americanos.

Apesar das complicações, a derrota americana não foi militar, foi política. Uma sucessão de protestos antiguerra nos Estados Unidos e em outras partes no mundo culminaram no acordo de París e na retirada do exercito americano do solo veitnamita, o que mais tarde resultou na vitória dos vietcongues.

Esse episódio mostra bem que só tecnologia não resolve o problema, é preciso levar em conta os fatores sociais, táticos, e diversos outros pontos para que uma guerra seja vencida.

E assim como a guerra do vietnã foi uma lição a ser aprendida, pode se tirar algo de bom de outros casos. Mesmo tendo o século XX passado mais da metade do seu tempo em guerras e conflitos, é dificil não se impressionar com o avanço tecnológico que aconteceu nele. Uma citação que gostariamos de fazer fica na conclusão do texto “Feiticeiros e aprendizes” do Hobsbawm onde ele diz que “(…) o século XX será lembrado como uma era de progresso humano, e não, basicamente, de tragédia humana.”.

Nessa citação ele está falando sobre a ciência e como ela avançou e como o século XX propiciou as bases para que esse avanço continuasse.

Podemos dizer que nesse periodo o homem fez o que não havia feito no resto da sua história. Os avanços na medicina, eletrônica, comunicação, transportes, entre muitos inventos e descobertas feitos neste século serão lembrados como os bons frutos que de alguma forma vieram de um periodo de guerras.

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A evolução da tecnologia na guerra

O século XX foi o mais movimentado no quesito desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Períodos em que o homem está em guerra fazem o desenvolvimento ser maior e mais perceptível ( no caso do século XX, as mais significativas foram a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria – guerra está que não teve combate, apenas uma disputa entre ideologias(capitalismo e comunismo). Ainda que economias inicialmente sejam impulsionadas pelo setor bélico, outros setores, como a biologia, física, química, medicina também avançam e permitem bem estar à sociedade, ainda que à custa de milhares de vidas e destruição de cidades, como foi o caso dos judeus durante o Holocausto e o bombardeio de Londres, entre outros fatos que marcaram o desenrolar da Segunda Guerra Mundial.

Algumas dúvidas surgem em relação ao por que desse avanço tecnológico e científico ter ocorrido em sua maioria na Europa. A URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) consagrou a ideia de que a ciência é uma atividade produtiva, isso justifica a movimentação do governo soviético para tirar a ciência do isolamento acadêmico e colocá-la a serviço do desenvolvimento econômico e social. Essa preocupação por parte dos russos e posteriormente por parte de ingleses – que durante a Segunda Guerra decifraram os códigos criptografados dos alemães, criaram o radar e mais tarde se juntaram aos americanos no Projeto Manhattan para a construção da bomba atômica – era uma preocupação, uma maneira de fazer da ciência uma atividade engajada para dar fim ao avanço nazista. Essa necessidade era vista de forma similar pela Alemanha nazista, que diziam que a ciência deveria estar ligada diretamente aos interesses da nação, no caso, principalmente às atividades militares, anti-semitismo (envolvendo experiências com judeus) e etc.

Tudo que é descoberto, inventado ou aprimorado, de alguma forma afeta o modo de vida da sociedade. Feenberg com sua frase “Em suma, as diferenças do modo como os grupos sociais interpretam e usam objetos técnicos não são meramente extrínsecas, mas produzem uma diferença na própria natureza destes objetos. O que o objeto é para os grupos é que, em última instância, vai decidir seu destino e também vai determinar aquilo em que se tornará quando for redesenhado e melhorado, com o passar do tempo”, mostra que tecnologias desenvolvidas durante e após guerras podem ou não ser utilizadas em nosso dia-a-dia, ou seja, se de grande utilidade, os tais objetos descritos por Feenberg tendem a ser disseminados e incorporados em nossas vidas, sejam eles apenas para o bem estar social, sejam para melhorias em outros setores, como comunicação, pesquisas acadêmicas e etc.

Exemplos do que foi o século XX em termos de descobertas, invenções e avanços tecnológicos no campo militar, para os diversos setores citados anteriormente temos:

QUÍMICA

Descobertas como teflon, processo Haber-Bosch de síntese de amônia (apesar de ter permitido avanços na agricultura, teve como conseqüência usos na indústria militar como explosivos – por exemplo – devido a quantidade de nitrogênio presente nos fertilizantes utilizados), uso de plásticos em larga escala, entre outros, que deram origem a diversas áreas como polímeros, ambiental, assim como aprimoramento nas áreas de análise instrumental, inorgânica, orgânica (possibilitando diversas aplicações para o petróleo, uso do etanol como combustível).

FÍSICA

Teoria da Relatividade de Einstein, Princípio da Incerteza de Heisenberg, sem falarmos da energia nuclear, dois outros exemplos ocorridos no pós-guerra ilustram esta afirmação. Um deles foi a invenção do transistor que, ao lado de gerar todo um novo ramo da física, a física do estado sólido, ocasionou o surgimento da indústria de semicondutores e microeletrônica, um dos setores mais dinâmicos e dinamizadores da economia mundial. Outro caso foi a invenção do laser, que trouxe o ressurgimento da área de óptica física e geométrica ao mesmo tempo em que criou uma nova área da física, a eletrônica quântica. O laser possibilitou uma série de criações industriais, das comunicações ópticas à medicina e saúde, gerando um grande setor empresarial ligado à optoeletrônica e à fotônica. [1]

MEDICINA E BIOLOGIA

Áreas como a imunologia, virologia, engenharia genética, cardiologia, endocrinologia, medicina nuclear etc., descoberta da penicilina, transplante de órgãos, quimioterapia e radioterapia, uso de marcapassos, entre outras descobertas e aperfeiçoamentos, permitiram que diversas doenças fossem evitadas e até mesmo erradicadas e outras descobertas e posteriormente tratadas, de forma a melhorar o bem estar do homem. Esses avanços na medicina e na biologia permitiram o uso de vírus, bactérias, para dar origem às chamadas guerras biológicas, que são tão temidas devido a constante mutação de vírus no ambiente.

AVANÇOS MILITARES

Os avanços militares mais significativos durante a Segunda Guerra e a Guerra Fria foram:

- Mísseis V2 que deram origem aos mísseis balísticos intercontinentais como o MX, Atlas e Titan (todos americanos);

- Radares dão origem ao micro-ondas, de forma inusitada, quando um cientista sente sua barra de chocolate derreter no bolso de sua calça;

- Criação e aprimoramento dos tanques de guerra;

- Criação de minas terrestres, diversos explosivos e armas químicas;

- Lançamento de foguetes;

- Ida do homem à Lua;

- Reconhecimento de outros planetas utilizando sondas e satélites em órbita;

- Aviões aprimorados, de simples planadores alemães pós Primeira Guerra a aviões a jato;

- Criptografia – que apesar de ser uma arte antiga – antes era usada em máquinas enigma durante a Segunda Guerra, hoje está sendo utilizada em computadores, celulares etc.

COMUNICAÇÃO

Dos meios de comunicação mais importantes podemos destacar o Rádio, o cinema e a imprensa uma rápida evolução que apesar de não terem sido criados no século XX, a sua maior evolução verificou-se, na primeira metade deste século, principalmente após a primeira guerra mundial. Mais tarde na segunda metade deste século surge a televisão e décadas depois a Internet.[3]

O computador teve origens na Alemanha com Konrad Zuse, porém o governo alemão não considerou como esforço de guerra, algo que ajudasse na vitória alemã, dando a oportunidade para os EUA criarem o ENIAC (Eletronic Numeric Integrator And Calculator). Posteriormente é utilizado pela sociedade, mas passa por diversas reestruturações devido à evolução na capacidade de armazenamento de informações, tais como visto atualmente com HD’s de armazenamento em TB (tera bytes), mas também pela necessidade de obter-se um computador que ocupe pouco espaço, tendência essa passada para celulares, ou de forma indireta para outras tecnologias, como a televisão, que hoje é mais fina.

Já a internet tal qual temos hoje, foi resultado de objetivos militares, seria uma das formas das forças armadas norte-americanas de manter as comunicações em caso de ataques inimigos que destruíssem os meios convencionais de telecomunicações (citados anteriormente). Nas décadas de 1970 e 1980, além de ser utilizada para fins militares, a Internet também foi um importante meio de comunicação acadêmico. Estudantes e professores universitários, principalmente dos EUA, trocavam idéias, mensagens e descobertas pelas linhas da rede mundial.

Foi através dessas mudanças na ciência e na tecnologia que a sociedade tal qual é apresentada hoje, permite que tenhamos tanto desenvolvimento e bem estar, mas também não podemos levar a guerra como algo essencial para o desenvolvimento do homem, pois, atualmente não é possível prever até que ponto a área militar está desenvolvida, de modo que, um novo conflito em pleno século XXI pode ter o desfecho dado por Einstein em uma de suas célebres frases: “Não sei como será a terceira guerra mundial, mas sei como será a quarta: com pedras e paus”.

Referencias

[1]http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252005000300021&script=sci_arttext
[2]http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:1xvpEe5zRxYJ:katalivros.com/downloads/Hist%C3%B3ria%2520da%2520Medicina%2520no%2520S%C3%A9culo%2520XX.doc+avan%C3%A7os+medicina+s%C3%A9culo+XX&cd=4&hl=en&ct=clnk&gl=br

[3] http://imediaj.net/2008/04/16/a-evolucao-dos-meios-de-comunicacao-na-sociedade-de-massas/


As imagens foram retiradas dos seguintes sites respectivamente:

http://www.makingthemodernworld.org.uk/icons_of_invention/technology/1939-1968/IC.001/

http://www.globalsecurity.org/military/systems/ship/systems/an-sps-73.htm

http://www.mujer.name/los-fundamentos-de-la-coccion-por/

http://www.spaguru.net/HiTech.htm

http://educacaoeaprendizagem.com.br/blogs/pamellabezerralins/computador/

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Economia e guerra

As guerras convencionais, travadas até a segunda grande guerra mundial, tinham como característica a mobilização de enormes exércitos que exigiam alimentação, vestuário, transporte, combustíveis, armas, equipamentos e munições em grande volume, utilizadas extensivamente. As guerras atuais são mais localizadas, de preferência nas regiões econômica e politicamente mais atrasadas, evitando os centros industrialmente mais desenvolvidos do mundo. Ao mesmo tempo, os grandes exércitos das nações desenvolvidas foram substituídos por forças relativamente pequenas, altamente especializadas e armadas com sofisticados equipamentos. Neste sentido a guerra reproduz o processo industrial de substituição do trabalho vivo pelo trabalho morto.
No campo inimigo, mais atrasado, a mobilização de grande contingente humano para a guerra não amplia, igualmente, a procura efetiva nos ramos produtores de bens de consumo, alimentação e vestuário devido à precariedade em que já viviam os combatentes. Mas expande a procura por armas e equipamentos também sofisticados, ampliando enormemente o mercado negro e o contrabando de equipamentos bélicos. O que só beneficia o pequeno grupo de traficantes dos enormes estoques de armas, munições e equipamentos acumulados pela indústria bélica.
Ao contrário das grandes guerras mundiais que opunham nações com níveis de desenvolvimento industrial relativamente próximos, a maior parte das guerras da última metade do século passado (guerra da Indochina, guerra da Coréia, guerra do Vietnã, guerra do Golfo, guerra de Kosovo), opõe uma grande potência, normalmente os Estados Unidos, contra um país muito mais atrasado. Este meio século de guerras localizadas contínuas estabeleceu um nível de procura efetiva, cujo aumento decorrente de mais um conflito aberto será pouco significativo para o aumento da procura global. Assim, a idéia de que a guerra amplia a procura efetiva e dinamiza a economia só poderia ser defensável para o curto prazo e para ramos de atividade que não são dinâmicos, exceto para o caso da indústria bélica. Neste sentido, os efeitos depressivos de curto prazo podem ser muito mais importantes do que os efeitos expansivos.
Durante as grandes guerras mundiais, enormes contingentes, milhões de trabalhadores foram convertidos em soldados. Para tanto, parte significativa da força de trabalho era deslocada do processo de produção e transferida para o front . Essa força de trabalho era substituída pelo exército industrial de reserva e pela incorporação de mulheres, crianças e idosos ao mercado de trabalho. O grau de desenvolvimento das forças produtivas exigia que cada unidade de força de trabalho deslocada para a guerra fosse substituída por outra equivalente. Os milhões de mortos naquelas guerras resolveram o problema do excedente de força de trabalho no mercado dos países capitalistas desenvolvidos, naquele momento.
Mas, o atual grau de desenvolvimento das forças produtivas não só já estava expulsando trabalhadores do processo produtivo como não exige mais que eles tornem-se soldados nesta guerra. Mesmo que os Estados Unidos massacrem as populações dos países subdesenvolvidos que se envolverem na guerra, o excesso de força de trabalho decorrente da contradição entre o grau de desenvolvimento das forças produtivas e as relações de produção continuará a pressionar a crise dos países desenvolvidos.
Neste sentido, a forma atual da guerra não deverá desempenhar o mesmo papel que desempenhou nas guerras mundiais anteriores. Não destruirá capital nem força de trabalho em escala suficiente para um longo ciclo de reconstrução capitalista. Além disso, como vimos, caso isso ocorra, será em um contexto de contradições sociais muito mais graves.
As guerras mundiais do século passado e a guerra fria, decorrente da segunda grande guerra, propiciaram um enorme impulso ao desenvolvimento científico-tecnológico e à produção capitalista. Elas estimularam a pesquisa e à criação de novos produtos que ampliaram enormemente o campo da acumulação capitalista. A pesquisa militar e espacial, financiada principalmente pelos orçamentos dos Estados dos países desenvolvidos marca toda a gama de produtos e serviços disponíveis hoje nos mercados capitalistas de consumo.
Assim, poder-se-ia imaginar que uma nova grande guerra, no contexto da chamada terceira revolução industrial e da “nova economia”, poderia produzir outro grande impulso ao desenvolvimento científico tecnológico capaz de gerar novos produtos e serviços. É indubitável que uma nova grande guerra realmente produza esse impulso. Mas, a questão que colocamos é até que ponto nós estamos realmente sob o signo de uma nova revolução industrial. Não estaríamos apenas aprofundando e desenvolvendo conhecimentos, produtos e serviços sobre a mesma base anterior?
O principal produto da segunda revolução industrial, o automóvel, dinamizou os mercados capitalistas durante praticamente todo o século passado e continua, ainda, como um dos principais produtos desse mercado. Mas ele funciona, ainda, baseado no motor de combustão interna, desenvolvido junto com a base energética eletro-magnética da segunda revolução industrial. Um dos pilares dessa estrutura industrial, o petróleo, tem sido considerado o pivô de várias guerras e também da guerra contra o Afeganistão.
Mas, o desenvolvimento científico e tecnológico, no contexto da mundialização do capital tende a concentrar-se cada vez mais nos países desenvolvidos. Os países subdesenvolvidos sofrem um processo de desestruturação produtiva e uma tendência a reprimarização de suas economias, com um empobrecimento de parcelas cada vez maiores de suas populações. Desta forma, um novo impulso ao desenvolvimento científico e tecnológico dentro do atual regime de acumulação poderá ser ainda mais excludente.
Como todos sabemos, o desenvolvimento científico-tecnológico constitui-se na forma por excelência de substituição do trabalho vivo pelo trabalho morto no processo de produção capitalista. Subordinado ao capital, ele produziu um padrão de acumulação e consumo incompatível com as necessidades da maior parte da população mundial. Como já está amplamente divulgado apenas 20% da população do planeta é responsável por 80% do consumo mundial.
Se as grandes guerras anteriores exerceram um papel importante para a destruição de capital e força de trabalho que revitalizaram o processo de acumulação, uma nova grande guerra não deverá desempenhar papel equivalente.
O contexto mundial das guerras anteriores era o da redivisão do mundo, da conquista de mercados e do aprovisionamento de matérias-primas, fundamentais para a acumulação de capital na época. Hoje, não se coloca mais a questão da redivisão do mundo nem a conquista de mercados tem o mesmo peso. O petróleo como fonte energética ainda é a exceção.
A hegemonia mundial obtida pelos Estados Unidos após a segunda guerra mundial, contestada parcialmente pelo Japão e Europa e reafirmada no final do século passado encontra-se novamente em xeque. A resposta norte-americana a essa crise de hegemonia é a guerra, na qual eles ameaçam envolver todas as forças de oposição e contestação ao modo de produção capitalista. Cabe a estas forças encontrar uma via para a superação do capitalismo, para a construção do socialismo, e para evitar o caos que provavelmente poderá se espalhar pelo mundo caso esta nova guerra se configure efetivamente em uma terceira grande guerra mundial

Na verdade, antes das duas grandes guerras, a Europa mantinha-se como a força política e bélica mais arrojada do mundo. A Inglaterra engendrava um Império Britânico colonialista e Industrial, chegando a dominar relevante extensão do globo, ocupando posições estratégicas no Caribe, como o caso da Índia. As duas grandes guerras, ou, na viso de Eric Hobsbawm, a grande guerra do século XX, que se estende do início do conflito que chamamos de Segunda Guerra Mundial, enfim, a dinâmica do processo histórico geopolítico e macro-econômico das grande guerras da primeira metade do século XX, marca a ascensão dos EUA a uma posição hegemônica global. A Guerra, portanto pode ser vista também como um processo macro-econômico, e sempre querida pelos que sabem lucrar com ela.

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Relação entre a guerra e a ciência

Guerra e ciência, em especial guerra e tecnologia andam juntas e o desenvolvimento da ultima foi um grande diferencial que definiu seu rumo. Para analisarmos a relação entre guerra e tecnologia, ou seja, guerra e a cência aplicada, temos que primeiro fazer uma definição de tecnologia. Para essa análise usaremos conceitos do texto “Racionalização subversiva” por Andrew Feenberg, onde o autor cita idéias de relacionamento entre tecnologia e Sociedade. Em seu texto, Feenberg define tecnologia como “um elaborado complexo de atividades que se cristalizam em torno da fabricação e uso de ferramentas”. Essa definição nos é suficiente para analisarmos a tecnologia em periodos de guerra.

Para a análise das relações entre guerra e ciência, usaremos três linhas de pensamento do supracitado do Feenberg, sendo elas o determinismo tecnológico, o construtivismo e o indeterminismo.
O determinismo tecnológico se baseia na suposição de que a tecnologia tem uma lógica funcional autônoma, tendo um progresso que segue um caminho unilinear fixo e independente da sociedade. Isso significa que a tecnologia seria como a ciênca e a matemática, porém, diferente destes a tecnologia causa um impacto forte e imediato na sociedade, sendo que a tecnologia não sofreria de um retorno desse impacto. Segundo o determinismo tecnológico as instituições sociais devem se adaptar à imperativos da base tecnológica, o que em resumo estaria dizendo que a tecnologia molda e define a sociedade.

O construtivismo defende que as teorias e as tecnologias não são determinadas ou fixadas à partir de critérios científicos e técnicos. Atores sociais fazem as escolhas entre diversas soluções viáveis para um dado problema baseados no seu conhecimento, embora a definição do problema mude constantemente conforme é solucionado. Essas idéias já vão contra a idéia de uma tecnologia unilinear e autogeradora.

Por fim, o indeterminismo citado por Feenberg nega os chamados imperativos tecnológicos, mostrando que a tecnologia não pode se impor à fatores sociais.

Aplicando essas idéias para analisar a relação entre guerra e ciência podemos dar a essa relação um caráter construtivista e indeterminista.

Assim como o próprio Feenberg nega o determinismo tecnológico para a sociedade, achamos dificil ver na relação guerra e ciência um caráter determinista sendo que , o estado, investindo grandes quantidades de capital em ciência e tecnologia, precisa de um retorno rápido de seu investimento não permitindo que a tecnologia seja criada cegamente. São necessárias pessoas que avaliem os problemas que precisam ser resolvidos na guerra e que juntas façam ferramentas que tragam soluções viáveis dentro de um leque de diversas. Sendo assim, podemos afirmar que em épocas de guerra, como o maior investimento em P&D é do estado, a ciência como um todo fica voltada à solução de questões pertinentes à guerra. Tiramos um exemplo disso de uma citação no texto “Feiticeiros e Aprendizes” por Eric Hobsbawm, onde ele comenta que durante a segunda guerra, os alemães não concluíram a bomba atômica não porque não conseguiriram ou não quisessem, mas porque os investimentos em foguetes trariam retornos em um prazo menor.
Essa relação também é uma relação de dependência, a guerra depende da ciência e a usa para melhorar suas ferramentas como transportes, meios de comunicação, alimentação de tropas, e melhores formas de combater o inimigo, entre elas armas químicas e nucleares, que não seriam possíveis sem o investimento e avanço na ciência.

Mas não são apenas as criações científicas voltadas a fins bélicos que se desenvolvem com a guerra. O avião, criado no final do século XVIII com o simples propósito de ser uma máquina mais pesada que o ar que fosse capaz de voar, foi usado com fins bélicos pela primeira vez na primeira guerra, inicialmente para missões de reconhecimento e mais tarde para bombardeios e combates aéreos. Ele foi introduzido na guerra com status de “brinquedo”, mas quando se deram conta de seu potêncial para causar danos aos inimigos, a pesquisa aeronautica ganhou grandes investimentos para desenvolver a sua nova arma.

O caráter indeterminista citado na relação entre a guerra e a ciência é dado pela dependencia de ambas à força de vontade das pessoa envolvidas e da ética, da moral, fatores sociais e culturais, custos do progresso, entre outros fatores subjetivos que guiam as ações das pessoas. Um exemplo interessante pode ser tirado do livro de Godfrey Hardy, grande matemático inglês da primeira metade do século XX, “Autojustificação de um matemático”, onde temos a visão dele de ciência no seguinte trecho.

“Uma ciência é considerada utíl se seu desenvolvimento tende a acentuar as desigualdades existentes na distribuição de riqueza, ou ainda, de um modo mais direto, fomenta a destruição da vida humana.”

Além destas duras palavras, Hardy em seu livro se vangloria por ter dedicado a sua vida à matemática pura, uma arte abstrata e inutíl, sem nenhuma aplicação prática. Estas palavras foram escritas no periodo da segunda guerra, e fica claro que ele como cientista preferiu se abster de participar da evolução dessa “ciência da destruição” que ele via.

Reforçando a idéia, as contribuições para a guerra não dependem apenas do investimento feito em uma dada área, mas também de como as pessoas vêem a sua área e até vêem a própria guerra.

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Introdução à guerra

Breves definições

Para iniciar este trabalho, vamos nos atentar a algumas definições básicas de ciência e tecnologia. Segundo o dicionário Larousse Cultural, tem-se por ciência o conjunto organizado de conhecimentos relativo à determinada área do saber, caracterizado por metodologia específica. A palavra tecnologia provém de uma junção do termo tecno, do grego techné, que é saber fazer, e logia, do grego logus, razão. Portanto, tecnologia significa a razão do saber fazer (RODRIGUES,2001). O estudo da própria atividade do modificar, do transformar, do agir (VERASZTO, 2004; SIMON et al, 2004a).No decorrer do trabalho, outras definições serão dadas, de acordo com o autor tratado e o enfoque específico.

Introdução

Quando tratamos de guerra, surgem infinidades de tipologias para classificar conflitos. Entre as denominações, comumente aparecem guerra mundial, guerra local, guerra nuclear, guerra civil, guerra imperialista, guerra de conquista, guerra contraterrorista, entre outras. Porém, a imagem que vigora por trás de todas essas classificações é, geralmente, composta por: violência, mortes, brutalidade. De modo geral, e com algumas exceções, essa é a visão que a sociedade moderna tem da guerra. Para sair um pouco desse enfoque, vamos levantar alguns exemplos de como outras civilizações, em épocas distintas, encaravam a guerra e a necessidade de combate.

Iniciando pelos egipcios, estes possuiam exército contínuo, com tropas lideradas pelo faraó em tempos de batalha. Os soldados eram uma classe de prestígio, assim como escribas e administradores. Em batalha, utilizavam por vezes a divisão de tropas, com um exército rápido e ágil. A maior parte das guerras egipcias foi motivada pela defesa de território e de suas provincias.

Partindo para a civilização grega, pode-se dizer, de maneira exagerada, que os gregos aperfeiçoaram a técnica de batalha. Nos confrontos prevalescia o embate de paredes de escudos, formadas por hoplitas em agrupamento único. Cada Cidade-Estado era responsável por seu próprio exército, havendo ligas e confederações para guerras ou batalhas maiores. Nesse período surge o uso de catapultas, feitas a partir de engrenagens e polias. As guerras eram expansivas e de defesa territorial.

Quanto aos romanos, estes herdaram as técnicas gregas de combate, prevalescendo ainda a parede de escudo, e com a adoção de armaduras completas. As guerras eram expansionistas e para a obtenção de escravos. O exército apresentava cunho profissional e único, estando sob o comando de comandantes e sempre subordinado a um poder central. Para muitos, ingressar no exército apenas era uma forma de sobreviver, já que grande parte da sociedade romana vivia na pobreza.

Os vikings, povo originário da Escandinávia, foram os pioneiros na arte de navegação com barcos leves. Não tendo exército unificado, os vikings se organizavam em grupos comandados por senhores, algo equivalente a chefes de condado. A guerra era vista como uma forma de provar heroismo e braveza, além de ampliar riquezas e obter terras para cultivo, uma vez que as terras de seu país eram improdutivas. De modo geral, guerreavam para ampliação do território e colonização.

Do povo celta retiramos o uso de cotas de malha e a luta individual no campo de batalha. Tratavam a guerra como um esporte, promovendo certas vezes guerras inter-tribais na primavera. Na sociedade celta, a guerra estava relacionada com a obtenção de status, uma vez que os melhores guerreiros recebiam regalias e títulos, assim como aumento da riqueza pessoal. Durante conflitos, os celtas seguiam um código de honra parecido com o que vigorou na Europa na Idade Medieval. A formação de exércitos era dada por tribos ou clãs, havendo “unificação” contra inimigos externos.

Partindo para a Idade Medieval, a guerra era destinada aos nobres, sendo o exército formado por senhores bem armados e equipados. As batalhas em campo, porém, contavam com a presença de camponeses sem treinamento e que lutavam, muitas vezes, com ferramentas de trabalho, como machados e foices. A valorização da arte de confronto é demonstrada em duelos e embates. Nesse período, a chegada do estribo possibilita a montaria de maneira mais segura, e com isso surge dá-se uma revoluçao no campo de batalha. Quanto às armas, o uso do arco e flexa, armaduras completas, lanças e espadas são constantes. Em campo de batalha, havia uma postura honrosa e ética que deveria ser seguida pelos nobres.

Indo para o período renascentista, a evolução na fundição, proporcionada pelos moinhos d’água, fez com que as armas se tornassem mais resistentes e surgissem as armaduras em placas únicas. Ocorre o aparecimento de mílicias, ou seja, exércitos profissionais que podiam ser contratados para servir determinado reino ou senhor.

Nas guerras napoleônicas, aparece o conceito de exército nacional, de cunho profissional. O uso do cano raido, pólvora e uma estratégia que combinava infantaria, cavalaria e artilharia proporcionou ao mundo uma guerra nunca vista antes.

Teorização da Guerra

A teorização do pensamento militar como conhecemos hoje iniciou-se na Europa a partir dos ensaios de Antoine-Henri Jomini e Carls von Clausewitz. Em um período curto de distanciamento no tempo, ambos os autores se destacaram por tentar racionalizar a guerra, para isso, ambos os autores consideravam a existência de Estados-Nação e exércitos nacionais.

Antoine-Henri Jomini ingressou no exército francês em meados de 1798, um ano antes da Revolução Francesa ter seu fim, como secretário do ministro de guerra francês. Durante o periodo de paz que se sucedeu em 1801, escreveu o livro Traité de grande tactique a partir da experiência adquirida no ministério. Em 1805, ingressou voluntariamente na campanha da Prússia sob a liderança do Marechal Michael Ney. Devido à repercursão de seu livro no meio militar, veio a conhecer Napoleão e ingressar em seu quartel-general. Em 1814, assumiu posição no exército russo, por onde se aposentou, em 1929, com o cargo de General. Baseado nas guerras napoleônicas e de Frederico, o Grande, Jomini focou seu estudo no âmbito humano, onde soldados e comandantes eram fatores determinantes para a vitória. Em 1836, lançou seu livro mais influente, Précis de l’Art de la Guerre.

O pensamento de Jomini era centrado em algumas formulações, que podem ser resumidas assim: a estratégia é a chave da guerra; a estratégia é controlada por principios científicos universais; a vitória na guerra dá-se da ação ofensiva contra o inimigo em um ponto decisivo. Sendo influenciado pela corrente de pensamento empirista, Jomini tentou cientificar a guerra a partir da experiencia dos conflitos napoleônicos, criando princípios imutáveis que, se seguidos, certamente levariam à vitória. Do pensamento Jominiano, a atualidade herdou, além do vocabulário técnico, conceitos como forças combinadas, treinamento contínuo de tropas, uso de serviços de inteligencia e ataque a pontos decisivos.

Carls von Clausewitz foi membro de exército prussiano, participando das Campanhas em Rhine, da invasão da França durante a revolução francesa e do combate ao exército de Napoleão durante às Guerras Napoleônicas. Morreu em 1831, vítima de cólera, com o cargo de Major-General. A partir de sua experiência vivida, estudou sistematicamente os aspectos filosóficos, politicos e sociais envolvidos na guerra, seguindo rigor científico e auto-avaliativo de análise. Como resultado de seu estudo, nasceu On War (Da Luta), uma obra inacabada, sem a revisão final merecida, lançada por sua viúva.

Em seu livro, Clausewitz tentou entender a essência da guerra e sua funcionalidade. Partindo da definiçao de que “guerra é um ato de força para obrigar nosso inimigo a fazer nossa vontade”, Clausewitz propõe que a guerra deve visar à total destruição física e política do inimigo.

De modo resumido e simplista, Clausewitz, seguindo método rigoroso e partindo de uma análise baseada em fatos históricos, conclui, porém, que nunca há o uso de violência absoluta ou total aniquilação do oponente devido à presença de fatores morais, que são frutos da sociedade, e da limitação de recursos por uma das partes. Dada essa conclusão, Clausewitz propõe que a guerra só tem sentido se estudada em três ambitos que interagem entre si, sendo eles o Povo, o Exército e o Governo.

Da obra de Clausewitz, retira-se que a guerra é uma atividade inerente à conduta humana, porém, esta é extremamente complexa, interdependete de fatores sociais, estratégicos e políticos, não havendo fórmula pronto que resulte em vitória. Clausewitz influenciou fortemente a conduta alemã em guerra, onde se considerava infinidades de probabilidades antes de um movimento. Em seu ambito maior, pode-se dizer que a definiçao clausewitziana de guerra se encaixa perfeitamente na Primeira e Segunda Guerra Mundial.

Referências

http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5674http://historia.abril.com.br/gente/politica-outros-meios-carl-von-clausewitz-436091.shtmlhttp://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=24296&cat=Artigos&vinda=Shttp://tecbelico.wordpress.com/2008/06/23/jomini-e-a-historia-militar/http://tecbelico.wordpress.com/2008/07/11/uma-visao-racional-da-guerra-a-abordagem-de-clausewitz/http://www.desenvolvimentistas.com.br/2007/12/henry-kissinger-e-a-america-do-sul/

http://www.ifl.pt/main/Portals/0/dic/guerra.pdf

Guerra mais antiga: http://mundoestranho.abril.com.br/historia/pergunta_286642.shtml

http://en.wikipedia.org/wiki/Antoine-Henri_Jomini

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Guerra, ciência e tecnologia

O trabalho completo sobre guerra e ciência pode ser baixado em:

http://rapidshare.com/files/412015199/texto_completo.doc

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