Introdução à guerra

Breves definições

Para iniciar este trabalho, vamos nos atentar a algumas definições básicas de ciência e tecnologia. Segundo o dicionário Larousse Cultural, tem-se por ciência o conjunto organizado de conhecimentos relativo à determinada área do saber, caracterizado por metodologia específica. A palavra tecnologia provém de uma junção do termo tecno, do grego techné, que é saber fazer, e logia, do grego logus, razão. Portanto, tecnologia significa a razão do saber fazer (RODRIGUES,2001). O estudo da própria atividade do modificar, do transformar, do agir (VERASZTO, 2004; SIMON et al, 2004a).No decorrer do trabalho, outras definições serão dadas, de acordo com o autor tratado e o enfoque específico.

Introdução

Quando tratamos de guerra, surgem infinidades de tipologias para classificar conflitos. Entre as denominações, comumente aparecem guerra mundial, guerra local, guerra nuclear, guerra civil, guerra imperialista, guerra de conquista, guerra contraterrorista, entre outras. Porém, a imagem que vigora por trás de todas essas classificações é, geralmente, composta por: violência, mortes, brutalidade. De modo geral, e com algumas exceções, essa é a visão que a sociedade moderna tem da guerra. Para sair um pouco desse enfoque, vamos levantar alguns exemplos de como outras civilizações, em épocas distintas, encaravam a guerra e a necessidade de combate.

Iniciando pelos egipcios, estes possuiam exército contínuo, com tropas lideradas pelo faraó em tempos de batalha. Os soldados eram uma classe de prestígio, assim como escribas e administradores. Em batalha, utilizavam por vezes a divisão de tropas, com um exército rápido e ágil. A maior parte das guerras egipcias foi motivada pela defesa de território e de suas provincias.

Partindo para a civilização grega, pode-se dizer, de maneira exagerada, que os gregos aperfeiçoaram a técnica de batalha. Nos confrontos prevalescia o embate de paredes de escudos, formadas por hoplitas em agrupamento único. Cada Cidade-Estado era responsável por seu próprio exército, havendo ligas e confederações para guerras ou batalhas maiores. Nesse período surge o uso de catapultas, feitas a partir de engrenagens e polias. As guerras eram expansivas e de defesa territorial.

Quanto aos romanos, estes herdaram as técnicas gregas de combate, prevalescendo ainda a parede de escudo, e com a adoção de armaduras completas. As guerras eram expansionistas e para a obtenção de escravos. O exército apresentava cunho profissional e único, estando sob o comando de comandantes e sempre subordinado a um poder central. Para muitos, ingressar no exército apenas era uma forma de sobreviver, já que grande parte da sociedade romana vivia na pobreza.

Os vikings, povo originário da Escandinávia, foram os pioneiros na arte de navegação com barcos leves. Não tendo exército unificado, os vikings se organizavam em grupos comandados por senhores, algo equivalente a chefes de condado. A guerra era vista como uma forma de provar heroismo e braveza, além de ampliar riquezas e obter terras para cultivo, uma vez que as terras de seu país eram improdutivas. De modo geral, guerreavam para ampliação do território e colonização.

Do povo celta retiramos o uso de cotas de malha e a luta individual no campo de batalha. Tratavam a guerra como um esporte, promovendo certas vezes guerras inter-tribais na primavera. Na sociedade celta, a guerra estava relacionada com a obtenção de status, uma vez que os melhores guerreiros recebiam regalias e títulos, assim como aumento da riqueza pessoal. Durante conflitos, os celtas seguiam um código de honra parecido com o que vigorou na Europa na Idade Medieval. A formação de exércitos era dada por tribos ou clãs, havendo “unificação” contra inimigos externos.

Partindo para a Idade Medieval, a guerra era destinada aos nobres, sendo o exército formado por senhores bem armados e equipados. As batalhas em campo, porém, contavam com a presença de camponeses sem treinamento e que lutavam, muitas vezes, com ferramentas de trabalho, como machados e foices. A valorização da arte de confronto é demonstrada em duelos e embates. Nesse período, a chegada do estribo possibilita a montaria de maneira mais segura, e com isso surge dá-se uma revoluçao no campo de batalha. Quanto às armas, o uso do arco e flexa, armaduras completas, lanças e espadas são constantes. Em campo de batalha, havia uma postura honrosa e ética que deveria ser seguida pelos nobres.

Indo para o período renascentista, a evolução na fundição, proporcionada pelos moinhos d’água, fez com que as armas se tornassem mais resistentes e surgissem as armaduras em placas únicas. Ocorre o aparecimento de mílicias, ou seja, exércitos profissionais que podiam ser contratados para servir determinado reino ou senhor.

Nas guerras napoleônicas, aparece o conceito de exército nacional, de cunho profissional. O uso do cano raido, pólvora e uma estratégia que combinava infantaria, cavalaria e artilharia proporcionou ao mundo uma guerra nunca vista antes.

Teorização da Guerra

A teorização do pensamento militar como conhecemos hoje iniciou-se na Europa a partir dos ensaios de Antoine-Henri Jomini e Carls von Clausewitz. Em um período curto de distanciamento no tempo, ambos os autores se destacaram por tentar racionalizar a guerra, para isso, ambos os autores consideravam a existência de Estados-Nação e exércitos nacionais.

Antoine-Henri Jomini ingressou no exército francês em meados de 1798, um ano antes da Revolução Francesa ter seu fim, como secretário do ministro de guerra francês. Durante o periodo de paz que se sucedeu em 1801, escreveu o livro Traité de grande tactique a partir da experiência adquirida no ministério. Em 1805, ingressou voluntariamente na campanha da Prússia sob a liderança do Marechal Michael Ney. Devido à repercursão de seu livro no meio militar, veio a conhecer Napoleão e ingressar em seu quartel-general. Em 1814, assumiu posição no exército russo, por onde se aposentou, em 1929, com o cargo de General. Baseado nas guerras napoleônicas e de Frederico, o Grande, Jomini focou seu estudo no âmbito humano, onde soldados e comandantes eram fatores determinantes para a vitória. Em 1836, lançou seu livro mais influente, Précis de l’Art de la Guerre.

O pensamento de Jomini era centrado em algumas formulações, que podem ser resumidas assim: a estratégia é a chave da guerra; a estratégia é controlada por principios científicos universais; a vitória na guerra dá-se da ação ofensiva contra o inimigo em um ponto decisivo. Sendo influenciado pela corrente de pensamento empirista, Jomini tentou cientificar a guerra a partir da experiencia dos conflitos napoleônicos, criando princípios imutáveis que, se seguidos, certamente levariam à vitória. Do pensamento Jominiano, a atualidade herdou, além do vocabulário técnico, conceitos como forças combinadas, treinamento contínuo de tropas, uso de serviços de inteligencia e ataque a pontos decisivos.

Carls von Clausewitz foi membro de exército prussiano, participando das Campanhas em Rhine, da invasão da França durante a revolução francesa e do combate ao exército de Napoleão durante às Guerras Napoleônicas. Morreu em 1831, vítima de cólera, com o cargo de Major-General. A partir de sua experiência vivida, estudou sistematicamente os aspectos filosóficos, politicos e sociais envolvidos na guerra, seguindo rigor científico e auto-avaliativo de análise. Como resultado de seu estudo, nasceu On War (Da Luta), uma obra inacabada, sem a revisão final merecida, lançada por sua viúva.

Em seu livro, Clausewitz tentou entender a essência da guerra e sua funcionalidade. Partindo da definiçao de que “guerra é um ato de força para obrigar nosso inimigo a fazer nossa vontade”, Clausewitz propõe que a guerra deve visar à total destruição física e política do inimigo.

De modo resumido e simplista, Clausewitz, seguindo método rigoroso e partindo de uma análise baseada em fatos históricos, conclui, porém, que nunca há o uso de violência absoluta ou total aniquilação do oponente devido à presença de fatores morais, que são frutos da sociedade, e da limitação de recursos por uma das partes. Dada essa conclusão, Clausewitz propõe que a guerra só tem sentido se estudada em três ambitos que interagem entre si, sendo eles o Povo, o Exército e o Governo.

Da obra de Clausewitz, retira-se que a guerra é uma atividade inerente à conduta humana, porém, esta é extremamente complexa, interdependete de fatores sociais, estratégicos e políticos, não havendo fórmula pronto que resulte em vitória. Clausewitz influenciou fortemente a conduta alemã em guerra, onde se considerava infinidades de probabilidades antes de um movimento. Em seu ambito maior, pode-se dizer que a definiçao clausewitziana de guerra se encaixa perfeitamente na Primeira e Segunda Guerra Mundial.

Referências

http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5674http://historia.abril.com.br/gente/politica-outros-meios-carl-von-clausewitz-436091.shtmlhttp://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=24296&cat=Artigos&vinda=Shttp://tecbelico.wordpress.com/2008/06/23/jomini-e-a-historia-militar/http://tecbelico.wordpress.com/2008/07/11/uma-visao-racional-da-guerra-a-abordagem-de-clausewitz/http://www.desenvolvimentistas.com.br/2007/12/henry-kissinger-e-a-america-do-sul/
http://www.ifl.pt/main/Portals/0/dic/guerra.pdf

Guerra mais antiga: http://mundoestranho.abril.com.br/historia/pergunta_286642.shtml
http://en.wikipedia.org/wiki/Antoine-Henri_Jomini

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